quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Não deixe o amor esfriar



E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos.” (Mt.24.12)
O mundo tem clamado por paz e promovido inúmeras campanhas para alcançá-la, no entanto continua patrocinando o pecado, a fim de favorecer a união entre os homens. Corpos cansados da guerra e carentes da “paz de Deus, que excede todo o entendimento” (Fp.4.7), desfalecem na luta por nada que possa levá-los à uma vida abundante e eterna, enquanto perdem tudo que Deus prometeu aos fiéis. Almas sem rumo, necessitadas da “da água da vida” (Ap.7.17) que só Cristo tem para dar. Esforços são dedicados em vão e o mundo continua se deteriorando, pois “os homens, para serem verdadeiramente ganhos, precisam ser ganhos pela verdade” (C. H. Spurgeon; http://www.monergismo.com/livros2/spurgeon/artigos/frases.htm).
Independente da forma como você compreenda o texto de Mateus 24, (preterista ou futurista) tenho por certo que concordará que o amor “de quase todos” se esfriou em nossa geração, tanto quanto ocorreu no primeiro século da era cristã. O modo de vida humano, nas ultimas décadas, tem sido tão hipócrita e mesquinho quanto o comportamento dos Escribas e Fariseus, no desprezo pelos necessitados; e tão bárbaro e cruel quanto os governantes e soldados romanos, na opressão dos fracos e indefesos.
Há violência por todos os lados e “a destruição e a violência estão diante de mim; há contendas, e o litígio se suscita” (Hc.1.3). As casas estão protegidas com cercas elétricas, os carros andam com os vidros fechados, as pessoas não levam mais seus pertences ao saírem. E, muitas outras prevenções são tomadas por causa da violência que assola as ruas.
No entanto, a violência explícita nas ruas não é a única forma de se revelar o esfriamento do coração humano pecador, pois, também, “todo aquele que odeia a seu irmão é assassino” (1 Jo.3.15). Sua maledicência pode ter iniciado uma série de eventos pecaminosos em cadeia, levados à diante por outros muitos corações vazios de amor e cheios de si mesmos. Um simples olhar indiferente e “ohomem perverso mostra dureza no rosto” (Pv.21.29), metralhando a vítima faminta do outro lado da janela do carro. Mãos se cansam de ficar estendidas, esperando a caridade de corações quem não sabem mais o que amar. Religiosos “atam fardos pesados e difíceis de carregar e os põem sobre os ombros dos homens” (Mt.23.4), porém não sabem o que significa: “misericórdia quero e não holocaustos” (Mt.12.7).
Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus” (Sl.51.17). O Cristianismo é mais que mente, é coração também. Não se trata do coração enganoso do homem, mas do coração descrito na Palavra de Deus. Um coração novo, cheio de amor, compaixão, misericórdia, paciência, benignidade, verdade, bondade, mansidão, hospitalidade, serviço e negação de si mesmo, pronto para dar a vida pelos irmãos.
O capitalismo, em sua estrutura fria e calculista tem influenciado muitos cristãos a olharem para a igreja como uma empresa, conduzindo-a como gerentes, sem nenhum senso do que significa: “misericórdia quero e não holocaustos” (Mt.9.13). Patrões cristãos têm tratado seus funcionários como instrumentos de lucro, sem nenhuma compaixão ou atenção às suas necessidades pessoais, quando deveriam tratar o irmão na fé “não como escravo; antes, muito acima de escravo, como irmão caríssimo” (Fm.1.16).
O mesmo partidarismo existente em Coríntios, e que levou o apóstolo Paulo a exortá-los “que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer” (1 Co.1.10), é a razão de cismas constantes na cristandade. Enquanto eles diziam: “Eu sou de Paulo, e outro: Eu, de Apolo” (1 Co.3.4), hoje, muitos outros dizem: Eu sou de Calvino, e outro: Eu, de Lutero, além de muitos outros nomes, deixando “evidente que andais segundo os homens” (1 Co.3.4). E, com isto, se mostram “Guias cegos, que coais o mosquito e engolis o camelo!” (Mt.23.24).
Cristo disse aos Seus discípulos: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (Jo.13.35). O amor entre os irmãos é marca fundamental no reconhecimento da igreja de Cristo. No entanto, o amor Bíblico dificilmente é citado de forma evidente como marca da igreja verdadeira.
Assim, como esta geração deixou de buscar o “Reino de Deus e a Sua justiça” para buscar em seu lugar as “demais coisas” (Mt.6.33), também o amor, vindo de Deus, tem sido trocado pelo egoísmo do coração pecador. Como é possível amar a Deus que não se vê, enquanto se despreza o irmão que convive em seu meio? (1 Jo.4.20) Afinal, o que se pode dizer da vida cristã sem o amor, pois “se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine. Se não tiver amor, nada serei. Se não tiver amor, nada disso me aproveitará” (1 Co.13.1,2,3).
fonte: voxscripturae

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